Após a criação da estrutura Wave Hub, governo inglês estima triplicar produção de energia até 2050
Enquanto o resto do mundo debate a implantação de usinas nucleares e a construção de Belo Monte, a Grã-Bretanha se posiciona à frente na busca pela utilização de energias limpas e renováveis.
Aproveitando-se dos mares revoltos que a cercam para gerar eletricidade de ondas e marés. Os países, aproveitando-se dos mares revoltos que os cercam, estimam que até 2050 as ondas renderão em média 190 gigawatts de eletricidade – cerca de três vezes mais do que a energia produzida atualmente em todo o Reino Unido.
A Inglaterra criou recentemente o Wave Hub, considerada a primeira “fábrica” do mundo construída com a finalidade de extrair energia a partir do movimento oceâncio – nela podem ser conectados equipamentos utilizados para aproveitamento da energia gerada pelas ondas e pelas marés. Funciona então como uma espécie de subestação submarina que permite que as empresas testem seus produtos com estas finalidades, antes de lançá-los no mercado e instalá-los em escala industrial.
Motivados pelas novas tecnologias, mais de 100 empresas já deram início ao desenvolvimento de dispositivos para coletar energia dos mares. Um levantamento feito pelo site Inovação Tecnológica mostra as seis tecnologias mais promissoras que já estão em fase de implantação. São elas:
Ponto Absorvedor: esta é uma bóia flutuante que se movimenta de acordo com cada onda que passa, transformando o movimento mecânico em eletricidade. Quando a boia sobe e desce, é gerado um movimento que bombeia um fluido hidraulico dentro de um cilindro fixo, que por sua vez se encontra abaixo da superfície. O fluido pressurizado faz girar um gerador dentro do dispositivo, e a eletricidade gerada a partir deste processo é transferida para as praias via linhas de transmissão submarinas. A Ocean Power Technologies, de Pennington, está testando sua PowerBuoy – que mede 41 metros de altura e 11 metros de diâmetro – na Escócia. Espera-se que ela produza 150 kilowatts de potência contínua.
O Atenuador: Atenuadores são longos dispositivos flutuantes posicionados perpendicularmente ao sentido das ondas, coletando energia da ponta à cauda. Conforme as ondas passam ao longo do comprimento da máquina, seções individuais movimentam-se para cima e para baixo uma em relação à outra, criando um movimento mecânico que é convertido em eletricidade. A Pelamis Wave Power, de Edimburgo, está atualmente testando a segunda geração do seu atenuador em escala comercial. O dispositivo, conhecido como P2, tem 180 metros de comprimento, 4 metros de diâmetro, e produz 750 kW de eletricidade. Os testes estão sendo feitos no Centro Europeu de Energia Marinha, perto de Orkney, na Escócia.
Conversor oscilante de onda: Em vez de balançar para cima e para baixo, os conversores oscilantes de onda movimentam-se para frente e para trás com cada onda que passa. Os dispositivos consistem de enormes abas com dobradiças, presas ao fundo do mar em águas rasas. Conforme as ondas passam, o dispositivo fecha a aba. É assim que funciona o Oyster 800, construído pelo Power Aquamarine, de Edimburgo. Mas, em vez de gerar eletricidade no mar, o dispositivo usa o movimento mecânico para bombear água pressurizada para uma instalação em terra. Lá, a água aciona uma turbina hidrelétrica, cuja localização em terra facilita sua manutenção. A Aquamarine vai começar brevemente a testar sua hidroelétrica marinha em escala comercial. O Oyster 800, um dispositivo de 800 kW, tem 26 metros de largura e 12 metros de altura.
Energia das ondas por rotação: Essa forma bastante incomum de explorar a energia das ondas transforma o movimento de vai e vem da água do mar em um movimento circular. A energia rotacional das ondas usa um excêntrico – um peso com um eixo fora do centro – selado dentro de uma boia ou casco de navio, que gira ao movimento do mar. A empresa finlandesa Wello vai começar em breve a testar o seu Penguin, um dispositivo rotacional de energia das ondas de 500 kW. O Penguin tem um casco assimétrico, que faz com que ele se movimente, a cada onda que passa, de forma muito parecida com o passo empolado de um pinguim. O movimento é usado para acelerar um peso de 95 toneladas, que gira dentro do casco e aciona um gerador elétrico para produzir eletricidade.
Coluna oscilante de água: As colunas oscilantes de água (OWCs: Oscillating Water Columns) aproveitam o sobe e desce das ondas que passam para comprimir grandes depósitos de ar, que acionam uma turbina para produzir eletricidade. A máquina fica semi-submersa na superfície do oceano, com uma grande cavidade oca aberta ao mar abaixo da linha d’água. As ondas que passam fazem o nível da água subir e descer no interior da cavidade, o que comprime e descomprime o ar aprisionado no interior da cavidade. O ar flui para fora do dispositivo através de um respiradouro na superfície quando é comprimido, e volta através do orifício quando é descomprimido. O ar em deslocamento gira uma turbina que produz eletricidade bidirecionalmente, independentemente do sentido do vento. Como seu funcionamento é similar ao de um aerofólio, apenas projetado para funcionar na água, os engenheiros o chamam de hidrofólio. Em julho deste ano, a Voith Hydro Wavegen, do Reino Unido concluiu a instalação de um OWC de 300 kW em Mutriku, na Espanha. O dispositivo, que também atua como um quebra-mar, é o primeiro de seu tipo – um dispositivo de energia das ondas totalmente comercial que está conectado à rede e vendendo energia.
Dispositivo por queda: Esse dispositivo coleta energia das ondas fazendo com que a água caia de um ponto mais alto para um ponto mais baixo. Conforme ondas mais altas se quebram nas laterais de um dispositivo de elevação, a água flui para um reservatório que temporariamente a mantém vários metros acima do nível do mar. Essa água armazenada é então canalizada em um estreito vertedouro, girando uma turbina elétrica conforme flui de volta para o mar. A empresa dinamarquesa Wave Dragon testou um dispositivo desses em pequena escala, capaz de produzir 20 kW de potência, entre 2003 e 2010. Uma versão em larga escala poderá produzir 12 megawatts de eletricidade, mas vai exigir um enorme reservatório, com mais de 100 metros de diâmetro.














